Os vereadores Guilherme Malaquias (PSB), o Guilherme do Salão, e Márcio Nascimento (PSB), o Marcinho, únicos parlamentares que se posicionam de forma independente ao governo César Nascimento (PSD), traçaram um panorama preocupante da atual administração, em entrevista exclusiva ao jornal Leia.
Segundo eles, o principal problema da gestão municipal não é a falta de recursos, mas sim a influência persistente do ex-prefeito Ademário Oliveira, a ponto de ele ser tratado nos bastidores como um “prefeito adjunto”, conforme declaração do próprio presidente da Câmara Municipal, Alexandre Mendes da Silva (PSD), o Topete, no Programa Jornal da Cidade da Rádio local Alternativa 1.
“A gente não faz oposição por fazer. Buscamos o bem comum,” diz Guilherme do Salão, destacando que suas propostas são embasadas em demandas da população, mas raramente prosperam na Câmara, onde 13 dos 15 vereadores compõem a base governista.
Marcinho reforça que a postura da bancada do PSB não é de obstrução, mas de compromisso com o interesse público: “Quando os projetos são bons, votamos a favor. Quando há vícios, sugerimos melhorias. Porém, somos votos vencidos, mas ainda assim prosperamos em nossas ações.”
Ele cita o caso do reajuste salarial votado no início do ano, onde só foram contemplados os servidores com formação superior, e os demais níveis da categoria ficaram de fora: “Sugerimos um cronograma para contemplar todos. Ignoraram.”
Corre nos bastidores comentários de que o “prefeito adjunto” ainda opina em decisões administrativas importantes. É senso comum na população que há dois prefeitos em Cubatão. A situação, segundo eles, tem gerado uma espécie de “fogo amigo” dentro da prefeitura, paralisando ações e minando a autoridade de César Nascimento.
Questionado se o atual prefeito tem autonomia, Marcinho foi direto: “Ele não tem o controle. Há uma sombra. Uma interferência que trava a cidade.” Guilherme foi ainda mais enfático: “Quem sofre com isso é a população. O prefeito precisa bater na mesa e dizer: ‘quem assina sou eu’. Enquanto isso não acontecer, Cubatão seguirá estagnada.”
A crise de liderança fica evidente até nas pequenas coisas. Uma simples obra de revitalização na Praça da Bandeira, por exemplo, iniciada em 2023, segue inacabada e em estado de abandono — um retrato simbólico do que os vereadores chamam de “governo sem identidade”.
Ainda assim, ambos mantêm a esperança de que César Nascimento possa assumir o comando de fato. “Ele tem essa chance. Mas precisa romper com o passado e governar para o futuro”, diz Marcinho. “A cidade precisa de autonomia, não de um terceiro mandato informal de um “prefeito adjunto – Ademário.”
Enquanto esse rompimento não acontece, os vereadores prometem manter a vigilância. “Não estamos aqui para derrubar ninguém. Queremos que a cidade ande. Alguém precisa apontar o caminho”, finaliza Guilherme do Salão.




