Eleições 2026 fortalecem grupo de Reinaldinho em São Sebastião enquanto Felipe Augusto fica sem mandato

Prefeito de São Sebastião amplia articulação regional com aliados eleitos e reeleitos; ex-prefeito recebe 9.534 votos na cidade, queda de 59,4% em relação à eleição municipal de 2020
Da Redação
5 Min. de Leitura

Quer receber as notícias mais importantes em primeira mão?
Entre em nosso grupo no

As eleições de 2026 produziram uma nova configuração política em São Sebastião. O prefeito Reinaldinho Moreira encerra o primeiro turno cercado por aliados que conquistaram ou renovaram mandatos, enquanto o ex-prefeito Felipe Augusto (PSDB) terminou a disputa pela Câmara dos Deputados sem mandato e com votação em São Sebastião bem abaixo de suas eleições municipais anteriores.

Felipe recebeu 9.534 votos em São Sebastião para deputado federal. No estado, somou 14.994 votos e ficou fora das vagas conquistadas pela Federação PSDB-Cidadania.

O resultado local ganha peso político quando comparado à trajetória recente do ex-prefeito. Em 2012, quando disputou pela primeira vez a Prefeitura, Felipe recebeu 11.993 votos. Em 2016, chegou a 19.924. Quatro anos depois, já tendo Reinaldinho como candidato a vice, foi reeleito com 23.501 votos. Agora foram 9.534 — 13.967 votos a menos que em 2020, redução de aproximadamente 59,4%.

A comparação entre eleições de naturezas diferentes exige cautela: uma disputa para prefeito concentra o voto municipal, enquanto uma candidatura a deputado federal compete com dezenas de outros nomes. Ainda assim, a diferença oferece um indicador sobre a capacidade atual de mobilização de Felipe em seu principal reduto eleitoral.

De aliados a caminhos separados

Felipe Augusto e Reinaldinho Moreira estiveram juntos durante anos. Reinaldinho foi vice na chapa que reelegeu Felipe em 2020 e, quatro anos depois, venceu a eleição para sucedê-lo na Prefeitura, com 29.083 votos e 56,89% dos votos válidos — superando inclusive a votação obtida pela chapa da qual havia participado como vice.

A relação política não sobreviveu ao início do novo governo. O rompimento separou dois personagens que até então pertenciam ao mesmo núcleo político e abriu uma disputa de narrativas sobre a liderança local. A eleição de 2026 foi o primeiro grande teste eleitoral após essa separação.

>> Entre no nosso canal no WhatsApp — clique aqui

Reinaldinho amplia articulação

Nos meses anteriores à eleição, São Sebastião passou a receber lideranças ligadas ao grupo político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em agosto, Tarcísio escolheu a cidade para sua primeira agenda pública após a oficialização da candidatura à reeleição. O encontro, realizado em Maresias, reuniu nomes como André do Prado, Guilherme Derrite, Maurício Neves, Renata Abreu, Capitão Telhada e Solange Freitas, com representantes de diferentes cidades do Litoral Norte e do Vale do Paraíba. Reinaldinho participou diretamente da agenda.

Dois meses depois, os principais nomes daquele encontro saíram das urnas com mandato. Tarcísio foi reeleito governador no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos no estado. Guilherme Derrite e André do Prado conquistaram as duas vagas paulistas no Senado, com 30,59% e 29,28%, respectivamente. Reinaldinho foi o coordenador regional de Derrite, que obteve pouco mais de 118 mil votos em todo o Litoral Norte de São Paulo.

Enquanto o grupo cresce, Felipe fica sem mandato

Felipe Augusto também tentou transformar seu histórico político em projeção regional e estadual. A candidatura terminou com 14.994 votos no estado — 0,06% dos votos válidos para deputado federal — e sem uma das 70 cadeiras paulistas na Câmara dos Deputados. Mesmo no Litoral Norte, onde construiu sua carreira, sua votação ficou concentrada em São Sebastião: dos 11.821 votos obtidos nas quatro cidades da região, 9.534 vieram de seu antigo reduto.

O cenário aponta uma mudança no equilíbrio político local. Durante anos, Felipe ocupou o centro do grupo que governava São Sebastião. Em 2026, já separados, Reinaldinho aparece articulado com candidatos que conquistaram o Governo do Estado, o Senado, a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Felipe terminou a primeira eleição após o rompimento com 9.534 votos na cidade e sem mandato.

O resultado não encerra a trajetória política do ex-prefeito, mas altera a configuração de poder que predominou durante quase uma década no município.

Compartilhar este Artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *