Com quatro mandatos como prefeito de Caraguatatuba e passagem pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), Antônio Carlos da Silva (PSD) voltou ao centro do debate político regional ao admitir que avalia uma nova pré-candidatura a deputado estadual. Em entrevista exclusiva ao jornal Leia, concedida na Praia Martim de Sá, o ex-prefeito fez um balanço de sua trajetória administrativa, defendeu o modelo de desenvolvimento adotado em suas gestões e apresentou reflexões sobre os desafios do Litoral Norte, do Vale do Paraíba e do próprio país.
Antônio Carlos governou Caraguatatuba por 16 anos, entre 1997 e 2004 e 2009 a 2016. Apesar do longo período à frente do Executivo municipal, ele relativiza o peso temporal de suas administrações. “Fui prefeito menos de 10% da história de Caraguá, que tem 168 anos”, afirmou, ao destacar que seu papel, segundo ele, foi o de instrumento para uma transformação estrutural do município.
Ao recordar o início do primeiro mandato, em 1997, o ex-prefeito relembrou um cenário de dificuldades financeiras. Segundo ele, a cidade tinha orçamento anual de R$ 33 milhões e acumulava uma dívida de R$ 23 milhões, além de salários e décimo terceiro em atraso. A virada, afirma, veio com organização administrativa, equipe técnica e foco em infraestrutura. Um dos símbolos desse processo foi a implantação da Avenida da Praia, cujo primeiro trecho, entre o Camaroeiro e o Rio Santo Antônio, foi entregue em abril de 1998. “São 2,3 quilômetros que nunca tiveram um buraco”, ressaltou.
A orla urbanizada acabou se tornando um marco do crescimento urbano e turístico do município. De acordo com Antônio Carlos, toda a extensão entre a Martim de Sá e o Porto Novo, cerca de 14 quilômetros, foi implantada durante suas gestões. Paralelamente, ele destaca investimentos em políticas públicas estruturantes, especialmente nas áreas de educação, saúde e esporte. Entre os equipamentos citados estão o Hospital Regional, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), o Poupatempo, a Vila Dignidade, além da chegada do Instituto Federal e da ETEC.
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Na área educacional, o ex-prefeito lembrou o reconhecimento obtido nacional e internacionalmente. Caraguatatuba recebeu prêmios pela qualidade da merenda escolar e foi contemplada com premiação da Unesco pela política de educação infantil. Segundo ele, a reformulação dos Centros de Educação Infantil, com foco em alimentação adequada e estímulos ao desenvolvimento cognitivo desde a primeira infância, foi decisiva para os resultados alcançados.
Antônio Carlos também atribui às obras de infraestrutura e à organização fiscal o forte crescimento imobiliário registrado no município ao longo dos anos 2000. Atualmente, segundo ele, mais de 60 empreendimentos de alto padrão estão em construção em Caraguatatuba, reflexo direto das bases estruturais implantadas anteriormente. “Tudo que o país precisa é desenvolvimento para gerar emprego e renda”, afirmou.
Ao falar do encerramento de seu último mandato, em 2016, o ex-prefeito reforçou o discurso de responsabilidade fiscal. Ele afirma ter entregue a prefeitura com orçamento de R$ 560 milhões, capacidade de investimento de 19% da receita e cerca de R$ 60 milhões em caixa, além de todas as contas em dia. “Caraguatatuba era uma empresa pública organizada, com poder de investimento”, disse.
Na Assembleia Legislativa, onde exerceu mandato por dois anos, Antônio Carlos destacou a destinação de emendas parlamentares prioritariamente para a área da saúde. Ele cita a implantação do AME em Caraguatatuba e em Lorena, além de investimentos no Hospital de Lorena, como exemplos da atuação voltada às necessidades regionais.
Questionado sobre os desafios atuais, o ex-prefeito elencou pautas consideradas estratégicas, como a duplicação da rodovia Rio-Santos entre Caraguatatuba e Ubatuba, o avanço do saneamento básico nas cidades litorâneas, o fortalecimento do turismo integrado no Litoral Norte e melhorias na infraestrutura do Vale do Paraíba, do Vale Histórico e do turismo religioso.
Sobre a possibilidade de disputar novamente uma vaga na Alesp, Antônio Carlos afirmou que a decisão ainda está em discussão, mas defendeu a necessidade de maior representatividade regional. “Um bom político pensa nas próximas gerações, não nas próximas eleições”, afirmou. Caso a pré-candidatura se confirme, ele admite diálogo com outras lideranças regionais, como o prefeito de Ilhabela, Toninho Colucci (PL), pré-candidato a deputado federal.
Ao encerrar a entrevista, o ex-prefeito afirmou que continua pensando em propostas de longo prazo, inclusive em nível nacional, e reforçou o vínculo com Caraguatatuba. “É um privilégio viver aqui e lutar para que as coisas sempre melhorem”, concluiu.



