O que antes era lixo agora pavimenta o futuro. Essa é a proposta da Ecofábrica Zona Noroeste, iniciativa da Secretaria das Prefeituras Regionais (Sepref) que desenvolve pisos drenantes sustentáveis a partir de resíduos reciclados, como plásticos, acrílicos e borrachas.
Desde setembro, em parceria com a Universidade São Judas, o projeto mostra que Santos pode ser um verdadeiro laboratório de inovação ambiental, unindo engenharia, economia circular e cidadania.
Os insumos chegam por meio do Cata-Treco e de doações, passando por máquinas trituradoras que transformam o material em insumo para a fabricação. Hoje, a unidade produz cerca de 100 peças por semana, totalizando 400 pisos mensais — o equivalente a 5 mil unidades por ano.
Cada peça (40×40×6 cm) representa 64 garrafas plásticas de 500 ml retiradas do meio ambiente. Em um ano, a produção pode desviar mais de 330 mil garrafas de rios, ruas e aterros, reinserindo-as de forma inteligente na cadeia produtiva.
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Integração com a universidade
Estudantes da São Judas passaram a atuar junto ao projeto em análises técnicas e propostas de melhorias. O ciclo de atividades inclui visita técnica, coleta de amostras, ensaios físico-químicos e mecânicos, discussão de resultados e, em novembro, entrega de relatório final.
A coordenadora Camila Aguilera destacou a importância da parceria:
“Encontramos na Ecofábrica um espaço fértil para aplicar conhecimento em projetos sustentáveis, como o piso drenante, que une inovação tecnológica e benefícios ambientais.”
Normas técnicas e aplicação prática
A produção segue referências da ABNT NBR 16416 (pavimentos permeáveis de concreto) e outras normas relacionadas.
Os pisos já foram instalados em pontos como:
- Caminho da Ilha Diana (Área Continental)
- Campo da Zona Noroeste (Caneleira)
- Praça Verde (Santa Maria)
- Estação da Cidadania (Campo Grande)
- Centro de Aprendizagem Camps (Vila Mathias)
Além de ajudar na drenagem urbana e reduzir enchentes, o projeto dá destinação sustentável a resíduos que antes poluíam o meio ambiente.
“Cada metro quadrado de piso drenante é uma vitória dupla: menos enchentes nas ruas e menos resíduos nos rios e mares”, ressaltou Alessandro Lopes, assessor técnico da Sepref.





