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Felipe Augusto insinua armação após apreensão de munições e destaca origem de juiz que autorizou busca

Em entrevista, candidato associa caso a “denunciações caluniosas”, lembra que ex-esposa tinha as chaves do imóvel e chama atenção para passagem do magistrado por Caraguatatuba; ele é réu em ação sobre suposto desvio de munições públicas
Da Redação
4 Min. de Leitura

Ao tentar explicar a apreensão de armas e munições em um imóvel ligado a ele, o ex-prefeito de São Sebastião e candidato a deputado federal pelo PSDB, Felipe Augusto, construiu uma narrativa que coloca sua ex-esposa, Michelli Veneziani, e o juiz que autorizou a busca no centro de suas suspeitas. Sem apresentar prova de participação de Michelli na colocação das munições, Felipe destacou que ela também tinha as chaves da residência, afirmou que estava há 21 dias nos Estados Unidos quando a operação ocorreu e classificou o episódio como parte de supostas “denunciações caluniosas”. “Os fatos vão se conectando”, disse.

Na mesma sequência, Felipe chamou atenção para a origem profissional do magistrado. “Um juiz de São José dos Campos, que foi juiz aqui em Caraguatatuba, deu uma ordem de busca e apreensão”, afirmou. O juiz citado é Ayrton Vidolin Marques Junior. Documentos oficiais do Tribunal de Justiça de São Paulo mostram que ele era titular da 1ª Vara Cível de Caraguatatuba e foi indicado pelo critério de antiguidade para a Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de São José dos Campos. A indicação consta de comunicado do Órgão Especial do TJSP e ocorreu antes da busca no imóvel de Felipe. Não há, nos registros oficiais consultados, qualquer indicação de vínculo pessoal entre o magistrado e Michelli ou de favorecimento na decisão.

A busca ocorreu em 24 de janeiro de 2025, no contexto de medidas protetivas obtidas por Michelli. Foram apreendidas 13 armas, além de carregadores, cofres e milhares de munições. Ao contestar a operação, Felipe afirmou que já não morava no imóvel, que havia deixado a residência após sair da prefeitura e que ele e Michelli mantinham as chaves. A partir daí, questionou como uma “quantidade absurda” de munições teria aparecido no local enquanto estava fora do país. A fala introduz uma suspeita sobre a origem do material e associa indiretamente a ex-esposa ao episódio pelo fato de ela ter acesso ao imóvel, mas não apresenta qualquer prova de que Michelli tenha colocado, ocultado ou desviado as munições.

A investigação, contudo, avançou para além da versão apresentada pelo ex-prefeito. 2.187 munições encontradas no imóvel foram identificadas como pertencentes a lotes adquiridos pela Prefeitura de São Sebastião para uso da Guarda Civil Municipal. A Câmara Municipal chegou a cobrar oficialmente explicações sobre o desaparecimento do material. Em julho de 2026, o Tribunal de Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e Felipe Augusto passou à condição de réu na ação penal que apura o suposto desvio.

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A fala ocorre ainda no contexto de um histórico de acusações de violência envolvendo duas mulheres que mantiveram relacionamentos com Felipe. Em 2022, Raquel Mendes registrou boletim de ocorrência relatando agressão, enquanto Michelli também figurou em denúncia apresentada à Câmara naquele período. Em 2025, já como ex-esposa, Michelli registrou nova ocorrência relacionada a violência doméstica e obteve medida protetiva. Ao mesmo tempo em que agora afirma que votará pelo endurecimento das penas para “todas as mulheres que mentem em processos judiciais”, Felipe classifica os episódios que o envolvem como “denunciações caluniosas” e sustenta que o caso das agressões estaria “liquidado”.

Entre a narrativa apresentada pelo candidato e os fatos documentados há uma questão que só a Justiça poderá responder: quem colocou as munições públicas no imóvel e quem teve responsabilidade por sua retirada da Guarda Municipal.

 

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