Os investimentos anunciados para o Litoral Norte e a Baixada Santista representam um salto histórico em infraestrutura e logística. O túnel submerso entre Santos e Guarujá, o novo aeródromo de Caraguatatuba e a modernização do Porto de São Sebastião mostram que o poder público e a iniciativa privada começam a tratar a região com a dimensão estratégica que ela merece. Essas obras devem impulsionar o turismo, a mobilidade, os negócios e o emprego — pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável.
Mas o progresso não pode se limitar às grandes cifras. Enquanto bilhões são anunciados em obras estruturantes, comunidades tradicionais lutam para sobreviver. Pescadores de Bertioga e Caraguatatuba, que há gerações sustentam famílias e preservam a cultura caiçara, seguem à margem do orçamento estadual, pedindo apenas o básico: a demarcação de seus territórios, a reforma de entrepostos e o reconhecimento de seu papel econômico e social.
O contraste é evidente: de um lado, mega investimentos que transformam a paisagem regional; de outro, trabalhadores que veem sua atividade desaparecer. Investir em infraestrutura é necessário, mas investir em gente é indispensável.
A economia da Baixada e do Litoral Norte só será verdadeiramente forte quando o desenvolvimento chegar à ponta da rede — ao cidadão que pesca, produz e movimenta a vida cotidiana dessas cidades. O túnel, o porto e o aeródromo podem abrir caminhos para o futuro. Mas é a valorização das comunidades locais que garantirá que todos possam atravessar juntos.



