Uma Constituição com toque feminino

Por Gisleine Zarbiettis | Arte: Giovanna Figueiredo

O Chile vive a efervescência de escrever uma nova Constituição a partir de abril. A grande expectativa está em torno do quanto a Carta Magna irá incorporar do legado da ex-presidenta Michelle Bachelet, primeira mulher a presidir o país e a quem se deve essa conquista. Nesse momento em que muito se discute a falta de representatividade política das mulheres, é preciso enfatizar que uma nova era está sendo construída no Chile a partir da luta, resistência e pioneirismo de uma grande liderança feminina.

Os 155 constituintes (metade homens e metade mulheres) que ficarão encarregados de escrever a nova Carta Magna devem ser eleitos no dia 11de abril. Será a primeira vez na história que um organismo com equidade de gênero escreverá uma Constituição. É de Bachelet esse mérito. Foi sob sua liderança que o Chile passou por uma Reforma Eleitoral e pode romper com o “sistema binominal”, uma das heranças da ditadura de Augusto Pinhochet.

Ao lado de Cristina Kirchner, Bachelet foi a mulher que passou mais tempo no poder na América Latina. As duas ingressaram na política sem se valer do estereótipo da “supermadre” – mulheres cujo poder caiu às mãos pela influência de grandes caciques da política com quem mantinham laços matrimoniais ou sanguíneos.

Cristina, embora tenha sido esposa do ex-presidente Néstor Kirchner, construiu sua trajetória em função da militância que exerceu ainda na juventude, da carreira na advocacia e dos cargos eletivos que ocupou, jamais turbinados pelo título de primeira-dama. Tornou-se muito mais conhecida e prestigiada na Argentina que o próprio esposo, o que fez com que sua atuação política tivesse extrema importância para a ascensão de Néstor e não o contrário.

Que exemplos como esses ajudem a compreender o real sentido de empoderamento feminino e que a conquista da nova Constituição chilena inspire outras mulheres a ampliar a luta feminista.

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