Prefeito de Bertioga quer ter a ‘maior comissão’ do Litoral

Comissionados podem garantir votos em eleições

Por Aristides Barros / Foto: Divulgação

O funcionário público municipal Kaled Ali El Malat, 45 anos, continua indignado com o prefeito de Bertioga, Caio Matheus (PSDB), e afirma que vai levar o chefe do Executivo novamente aos tribunais. Mas, dessa vez, o alcaide não vai sozinho. “Além de uma ação civil pública contra a prefeitura, vou levar ele e todos os envolvidos na possível contratação de 167 comissionados a responder uma ação criminal”, afirma o servidor público, que integra a GCM de Bertioga.

Um projeto de lei para a contratação de mais de 160 comissionados deve ir para votação na Câmara de Bertioga já com chances de aprovação, tendo em vista que o prefeito tem esmagadora maioria no Legislativo.

Servidor público municipal há 28 anos, Kaled rebate o prefeito, que argumenta que a contratação avalanche de comissionados faria parte de uma reforma administrativa. “Reforma é feita com estudos do quadro de servidores, realização de concurso público e plano de carreira na conversa com o funcionalismo municipal, e não abrindo cargos à revelia na prefeitura”, crava Kaled.

Ele já se perde no número de ações contra o prefeito, que está no segundo mandato consecutivo.

“Foram ações no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, acho que já passam de 20 ações, que apontam erros que trazem prejuízos à cidade. Não tenho nada pessoal contra o prefeito, mas eu gosto de Bertioga e me entristece ver pessoas incompetentes para administrar. Passam quatro, oito anos prejudicando a cidade”, alfineta.

Pela insistência em “bater” na administração, o servidor público diz que sofre perseguições dos governistas.

Pré-campanha

Comentários de bastidores dão conta de que a primeira dama do município, Vanessa Matheus, estaria ensaiando a possível candidatura a uma vaga na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) e que as contratações de comissionados teria um viés eleitoral, indicando que a contratação em massa na prefeitura seria um suporte para que a esposa do prefeito tivesse garantido braços para levar sua campanha adiante.

Ainda no mesmo tema, mas mirando as eleições municipais, a comissão também seria a formação de um time para trabalhar a suposta campanha à prefeita da primeira-dama. O marido não pode participar do próximo pleito porque foi reeleito.

Silêncio da prefeitura

Questionada, a Prefeitura de Bertioga não se manifestou.

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