Pelé é o Rei: e o resto é tentativa frustrada

Por Aristides Barros / Fotos: Correio Braziliense e Domício Pinheiro/AE

Entra ano e sai ano alguém tenta surrupiar a coroa de sua Majestade Pelé, o Rei do Futebol. A tentativa de furto já acontece há décadas e a maioria, unânime, sempre retorna o título ao atleta dono de uma carreira futebolística irreparável, cujos lances e gols dentro das quatro riscas encantam até hoje, quer sejam exibidos em preto em branco ou em cores.

É o que é Pelé, um conto encantado do futebol onde a realeza virou mito e vai se perpetuar por muitos anos depois de sua morte, que parece se avizinhar. Os homens morrem e suas boas obras atravessam os séculos sempre na expectativa de que os deuses tragam outras maravilhas iguais a eles, para encantar o desencantado planeta que carece de figuras magnânimas.

O Brasil vive um apagar de luzes de estrelas futebolísticas, onde sua figura maior e o próprio país, reconhecido como a “Pátria de Chuteiras”, estão em silêncio devido a esse vazio nos campos verdes. Pelé está com a saúde muito debilitada e os campos brasileiros parecem entristecidos com o suplício do Rei. Em meio ao silêncio fustigante, sussurram nomes pequenos para ocupar o espaço do gigantesco nome esportivo que encantou o mundo com os pés. Na verdade, com o corpo todo.

Dizer que qualquer jogador brasileiro da atualidade seria, sequer, a sombra de Pelé é um disparate sem tamanho.  Os loucos costumam dizer que são Jesus Cristo, e os doidos que esse ou aquele jogador é melhor que Pelé. Que provem em campo e na vida regrada do jogador dentro da arena esportiva, porque as derrapagens da vida de Edson Arantes do Nascimento o separam a uma distância infinita do atleta que o mundo esportivo aprendeu a respeitar.

A herança deixada por Pelé é um trono vazio e sem condições de ser ocupado por nenhum jogador da atualidade. Por isso, ainda ostentando orgulho do reconhecimento mundial de sermos donos de um futebol portentoso, vira e mexe um ser inconsciente “elege” um substituto para Pelé.

O país que é a “Pátria da Chuteira”, berço do maior jogador de futebol de todos os tempos, um rei legítimo pelo que apresentou dentro de campo, sente demasiadamente essa carência. Talvez precisemos novamente de um rei para chamar de nosso. Mas realmente não dá. Pelé é eterno.

O soco no ar virou sua marca registrada após fazer seus mais de 1200 gols

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