O Brasil é ouro, prata e bronze

Da Redação / Arte: Giovanna Figueiredo

O país sangra com a pandemia e está revoltado com as mortes de mais de 500 mil brasileiros. As vitórias de atletas ilustres – anônimos aos olhos da grande mídia e desconhecidos de ricos patrocinadores – não minimizam a dor, mas a aliviam.

Nas medalhas vem o recado que o país pode vencer o momento mórbido tirando a tristeza da face do povo da nação, antes admirada por todo o mundo e agora isolada do resto do globo terrestre.

Essa gente brasileira que vive a vida enfrentando desafios, vencendo obstáculos, tem na sua resiliência a esperança de que tudo isso vai passar. Esses que ganham medalhas são esses que estão aqui dependurados nos trens e ônibus, agarrados para ganhar o sustento do dia.

Os ganhos dos nossos atletas nada têm a ver com essa gente. Para se ter ideia, o Ministério do Esporte, extinto pelo presidente Bolsonaro, foi resumido a uma Secretaria vinculada ao Ministério da Cidadania, por onde já passaram três secretários. Dois deles generais e o mais recente, Marcelo Magalhaes – indicado para o cargo – tem currículo: é amigo de infância de Flavio Bolsonaro, que é filho do presidente. Os três ocupantes do cargo não têm o peso da importância da medalha de Raíssa Leal, a skatista de 13 anos ganhadora da prata para o Brasil.

Talvez um dia o trio e sua trupe consigam orgulhar alguém, mas deixe-os pra lá. Tragamos pra cá a certeza de saber que esse mal vai passar, esse governo vai acabar e, depois de ele ir embora, a vida volta. Cantemos: “apesar de você amanhã há de ser outro dia”.

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