Fake News assassina: Família de vítima luta para ser indenizada por rede social

Mulher foi linchada após Facebook divulgar “informação” sobre uma sequestradora de criança   

Da Redação / Foto: Reprodução

Os familiares de Fabiane Maria de Jesus linchada e morta em Guarujá ainda luta para receber indenização por danos morais do Facebook, sete anos após o crime. A “notícia” que resultou na morte de Fabiane foi publicada e compartilhada em maio de 2014 na rede social. A partir disso, a vítima foi confundida com a suposta sequestradora de crianças para rituais de magia negra. Amarrada, Fabiana foi agredida por várias pessoas sendo que quatro pessoas foram presas pelo crime.

O linchamento completa sete anos na última segunda-feira, 3. Os familiares e Fabiane dizem que acreditam na Justiça. De acordo com eles, além da rede social também os proprietários da página que “circulou” a publicação deveriam ser responsabilizados pelo crime.

O marido e a filha mais velha de Fabiane, hoje com 20 anos, evitam falar sobre o assunto. A filha mais nova, de oito anos, sabe apenas que “algo muito ruim aconteceu com a mãe”.

No processo, é alegado que o Facebook foi omisso ao manter a publicação do vídeo onde aparece a vítima sendo espancada, além de lucrar com a veiculação. A página Guarujá Alerta, dias antes do crime, havia divulgado uma foto o boato que uma mulher, parecida com Fabiane, sequestrava crianças para rituais de magia negra em Guarujá.

Segundo o advogado da família da vítima, esse foi o primeiro caso de fake news a ocasionar uma morte. O pedido de indenização utiliza esse argumento e usa documentos do criador da plataforma, Mark Zuckerberg, admitindo que na época não havia ferramenta para poder evitar a veiculação de notícias falsas.

Segundo o advogado, na ação, o juiz Chistopher Alexandre Roisin, da 3º Vara Cível do Foro Central de São Paulo, entendeu que o Facebook não é culpado pelo crime e a empresa não tinha obrigação de tirar a postagem do ar e, por isso, julgou improcedente o pedido de indenização.

A família recorreu e houve outra negativa e a decisão ficou para o STF (Superior Tribunal Federal) com um recurso extraordinário. Segundo o advogado, o presidente suspendeu o julgamento da ação já que ela é baseada, também, no artigo 19 do Marco Civil da Internet, que ainda está sendo analisado. O Facebook não se posicionou acerca do caso.

Página “espalhou” a sentença de morte da dona de casa

Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morreu no dia 5 de maio de 2014, dois dias após ter sido espancada por dezenas de moradores do bairro de Morrinhos, em Guarujá. O linchamento foi após um boato gerado pela página Guarujá Alerta afirmar que uma mulher sequestrava crianças para práticas em rituais de magia negra.

A polícia identificou cinco suspeitos pelo espancamento e todos foram levados a julgamento. Em outubro de 2016, Lucas Rogério Fabrício Lopes, foi condenado a 30 anos de prisão por participação no crime.

Em 28 de janeiro de 2017, mais quatro pessoas foram condenadas: Abel Vieira Batalha Júnior, Carlos Alex Oliveira de Jesus, e Jair Batista dos Santos, receberam a pena de 40 anos de prisão em regime fechado; e Valmir Dias Barbosa, de 26 anos de detenção.

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