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‘Encontramos Ilhabela muito desorganizada, mas vamos corrigir’, diz secretário de Governo

ENTREVISTA Cézar de Tullio faz um panorama do início da gestão do prefeito Toninho Colucci

Por Lailson Nascimento / Foto: Bruno Arib

O secretário municipal de Governo de Ilhabela, Cézar de Tullio, conversou com a reportagem do LEIA a respeito dos primeiros 60 dias da gestão Antonio Colucci (PL), o Toninho Colucci. Além de fazer um balanço sobre as principais dificuldades encontradas no início do mandato, o chefe da Pasta também falou sobre o enfrentamento à Covid-19 no município e sobre as principais metas para a retomada econômica.

Confira os principais trechos da entrevista:

LEIA: Secretário, qual é o panorama desses primeiros 60 dias de trabalho?

Cézar de Tullio: Infelizmente a gente assumiu uma prefeitura com algum dinheiro em caixa, mas muito desorganizada. A gente não tinha licitação para comprar alimentos para a merenda escolar e para o hospital, não tínhamos licitação para produtos de limpeza, para seguros de automóveis, ou seja, não tinha licitação aberta praticamente para nada. Isso causa dificuldades, porque no Poder Público não adianta ter dinheiro, pois os gastos têm de ser dentro da lei, com processo licitatório. Sobre esse aspecto foi muito difícil, e a gente está lutando para colocar as licitações na rua. Sobre outros aspectos de bagunça administrativa também. O prefeito assumiu o mandato com várias escolas e pontos da Secretaria de Cultura completamente abandonados, imóveis desapropriados que não serviam a nenhum fim, uma bagunça administrativa grande. E um problema na área da saúde, porque o interventor indicado pela gestão anterior deixou a Santa Casa inchada de funcionários, o Tribunal de Contas passou a apontar todas essas irregularidades, mas o governo anterior simplesmente deixou a coisa rolar desse jeito. O prefeito está tendo um desgaste grande para corrigir isso. Além disso, nós assumimos a cidade em um início de temporada que foi bastante movimentada, com a pandemia pegando no calcanhar de todo mundo, e tudo isso tem sido muito difícil. Mas o prefeito nos tem dado as diretrizes e cada secretário está fazendo o seu papel para corrigir todos esses problemas.

LEIA: Quanto tempo para colocar a casa em ordem?

Cézar: Não é uma coisa fácil, não é uma coisa que se faça do dia para a noite, e a gente já começa a ver na Câmara Municipal uma certa dose de coisas políticas que não ajudam o município em nada. Nós temos seis vereadores da base do governo e três vereadores que foram eleitos na oposição, e ontem (dia 2, durante a sessão) teve até uns encontrões desses dois grupos. Eu acho muito cedo para se fazer política, para tecer críticas. A gente fica triste de ver alguns vereadores se prestarem a um papel muito ruim. A população já vem reconhecendo os esforços do prefeito em resolver todas essas questões, então eu espero que os vereadores também entendam que não é hora de se fazer política, não é hora de ficar procurando pelo em ovo, em obras que foram feitas com um décimo do preço que se fazia antigamente. Quando o vereador quer informação ele se dirige à prefeitura e aqui ele obtém todas as informações. Fazer discurso na tribuna da Câmara é muito fácil, porque ele fala sozinho e não tem direito de resposta. Mas vir aqui se inteirar das coisas é o caminho mais fácil. Eu espero que esses vereadores mudem o rumo da política que estão fazendo pelo bem do nosso município.

LEIA: O Tribunal de Contas, ao julgar os gastos do governo anterior, chegou a dizer que não encontrava um orçamento paralelo ao de Ilhabela em municípios do Brasil. Como é a situação hoje?

Cézar: Houve uma perda dos royalties, que foi sentida no ano passado, e nós saímos de um orçamento de R$ 1,2 bilhão para um orçamento de R$ 750 milhões esse ano. Ou seja, algo em torno de 60% do orçamento.

LEIA: E como a prefeitura está se adequando?

Cézar: Como no ano passado eles não tiveram competência para transformar esse dinheiro em obras e benfeitorias na cidade, eles acabaram deixando um volume de dinheiro que a gente está suplementando o orçamento desse ano. Se a gente só contasse com o orçamento desse ano, seria mais complicado. Eles desajustaram salários, desajustaram tudo para cima, e a gente está tendo dificuldades.

LEIA: A gestão anterior não deixou obras importantes?

Cézar: Nada andou no governo anterior. Não há uma obra importante, a não ser duas ou três obras emergenciais que custaram uma fortuna. A gente está penando para consertar tudo isso.

LEIA: Dentro desses ‘desajustes’, o que o senhor destaca?

Cézar: A contratação excessiva de funcionários na Santa Casa, que foi feita pelo interventor nomeado pela prefeitura, talvez tenha sido a maior. Fora a elevação de salários no meio de uma pandemia, quando grande parte das pessoas ficaram em casa e, mesmo assim, tiveram gratificações, como se tivessem em pleno vapor. Então eles deram uma desajustada nos salários, mas vão responder pelos descalabros que fizeram.

LEIA: O Governo do Estado decretou fase vermelha do Plano São Paulo em todas as cidades. Qual a sua avaliação?

Cézar: A nossa situação não é nem parecida com o restante do Estado. A gente tem pouca ocupação de vagas de UTI e pouca ocupação de vagas de enfermaria, ou seja, nossos índices são bem menores. O que a gente tem recebido muito são os veranistas, gente que tem casa em Ilhabela. Muitos deles passam a quarentena aqui, e fechando São Paulo, provavelmente eles vêm para cá. A situação é preocupante, mas Ilhabela não está com índices alarmantes.

LEIA: No pós-pandemia, o que Colucci já prepara?

Cézar: Nós temos um plano de governo elaborado pelo prefeito, que foi apresentado à sociedade e que o elegeu, e nesse plano contempla uma série de coisas. A principal meta é ter 100% de água tratada e tratamento de esgoto na cidade. O prefeito tem investido muitos esforços para que o saneamento possa acontecer, e a coisa já está andando. Nosso objetivo é entregar a cidade com balnealidade de 100%. Além do término do teatro municipal, o funcionamento dos três barcos aquabus que ficaram jogados quatro anos em uma marina e que estão bastante deteriorados, a área da educação, da saúde.

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