Casal de emancipacionistas de Bertioga se mantém firme, mas isolado e esquecido

Saga Sobrou só eles para contar em detalhes as histórias de luta para a libertação da cidade, que comemora 30 anos nesse 19 de maio

Texto e foto: Aristides Barros

O casal Jerônimo de Souza Lobato, 82 anos, e Eunice Olsen Lobato, 81, é a história viva da emancipação de Bertioga. Ele e ela, junto a outros emancipacionistas, foram decisivos nos eventos que fizeram do então distrito santista ser uma cidade, mesmo com os prós e contras da época.

A história dos 30 anos passados é imutável. Era necessário ouvir a voz do povo para nascer a cidade. E foi por meio de um plebiscito que 3,9 mil moradores votaram pelo SIM, optando por uma Bertioga Livre, e 300 votaram NÃO, querendo Bertioga perpetuamente ligada a Santos.

O dia era 19 de Maio de 1991 quando, com os esforços deles e de seus companheiros, Bertioga conseguiu a duras penas, imensos sacrifícios e muitas batalhas a sua independência, passando a ser referência no mapa do Estado de São Paulo como mais um entre os 645 municípios paulistas.

O plebiscito rompeu o cordão umbilical e findou uma luta levada a campo por nove anos, sacramentando a vitória dos idealistas. Lembrando que ela “vingou” a luta de outros emancipacionistas que foram frustrados na primeira tentativa de emancipação iniciada ainda na década de 1950. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

A obstinação de todos os emancipacionistas deveria ter o reconhecimento dos bertioguenses. Os nomes deles e que figuram a primeira diretoria de Autonomia e Emancipação de Bertioga são: Licurgo Mazzoni, Jerônimo de Souza Lobato e Eunice Olsen Lobato, Diney Lyra e Irene Vaz Pinto Lira, Pérsio Dias Pinto, Antônio Duarte e Eduardo de Araújo Barros. Apenas o casal Lobato ainda está vivo.

ISOLADOS – Santista e Dona Eunice são ilustres desconhecidos pela nova geração de bertioguenses. A falta de referência se deve ao pouco feito pela classe política da cidade para mantê-los visíveis.

“Hastearam as bandeiras nacional, estadual e de Bertioga na Praça dos Emancipadores e não nos convidaram”, disse o octogenário emancipacionista. “É como falar de 7 de Setembro e não citar Dom Pedro I”, ironizou, em tom brincalhão. O hasteamento das bandeiras acontece em forma de enaltecer a semana da emancipação.

Enaltecem a semana e se esquecem das pessoas ainda vivas que tornaram possível a comemoração da data, da semana e da cidade. “Eles não vão fazer nada”, disse Santista. Isso porque devido à pandemia, Bertioga evita aglomerações. “Eles não vão fazer nada porque vocês já fizeram tudo, vocês fizeram a cidade”, acalma o jornalista, dando a importância a quem merece.  

O casal se emociona ao falar de passagens marcantes da luta emancipacionista, e às vezes seus olhos lacrimejam. Amor é o sentimento que os dois têm em grande quantidade por Bertioga que, ultimamente, está necessitada de muito mais, e tem muito menos.

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