A quem interessa a reforma administrativa

Por Aires Ribeiro / Arte: Giovanna Figueiredo

A Constituição de 1988 trouxe em seus artigos algumas travas para combater a corrupção, tornar o serviço público de qualidade e um Estado protetor e justo.

Ainda jovem, a Carta Constitucional sofreu alterações para atender a grupos políticos, financeiros e exploradores, sempre em prejuízo ao povo.

Agora estes interesses personificados na pessoa de Paulo Guedes, ministro da Economia, apresentam nova alteração na Constituição, denominada de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32 – Reforma Administrativa.

Entre seus artigos, nós encontramos a desqualificação do concurso público que promove seleção aberta, justa e qualitativa. No lugar deles, será deixado à vontade do executivo contratar quem, quantos e como quiser para exercer atividades.

A proposta acaba com a estabilidade do Servidor. Assim, ele deixa de ser um trabalhador do povo para ser um agente do governante em exercício.

Entre seus artigos, será possível passar qualquer serviço público para empresas privadas. Ficará para o Estado somente os serviços que a iniciativa privada não se interessar, podendo passar prédios e equipamentos para utilizarem sem contrapartida.

E aí estas empresas ficam livres para contratar pessoal à vontade, observando o seu princípio do QI (QUEM INDICA), um prato cheio para a classe política não republicana.

A corrupção, o clientelismo, o nepotismo e o fisiologismo partidário vão nadar de braçada nos cofres públicos. O mais grave é que a PEC 32 possibilitará o fim dos serviços públicos, das vacinas, distribuição de remédios, Creches, Escolas, Saúde, etc.. Os serviços essenciais vão estar nas mãos de empresas privadas.

Enquanto a população busca sobreviver na pandemia e no desemprego, a boiada passa e leva o pouco que nos resta.

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